Cuba Libre?

24.02.2008

A mídia tem o poder de criar marcos na história mundial. Foi sabendo disso que, em 19 de fevereiro de 2008, Fidel Castro renunciou ao poder em Cuba. No dia seguinte, fotos de seus tempos de glória estampavam capas de jornais de todo o mundo, sobrepondo as imagens do homem doente que ia desaparecendo entre cadernos e notas de rodapé. Com isso, ele talvez consiga o que alguns especialistas acreditam ser a única coisa que lhe falta conquistar: a imortalidade. Mas o que realmente muda em Cuba e no mundo depois da renúncia?

O New York Times descreveu a apatia dos cubanos perante o anúncio. Já o Le Monde foi mais longe e disse que nada vai mudar. Em outras palavras, tudo deve continuar como está desde 31 de julho de 2006, quando Fidel transferiu o poder a seu irmão Raúl, candidato mais forte para efetivamente sucedê-lo como líder maior de Cuba. No entanto, Fidel, segundo publicou a revista Economist, “continuará exercendo poder de veto sobre o ritmo e direção das mudanças em Cuba enquanto viver”.

Mas isso não deve ser encarado de uma forma negativa, e sim como mais um passo em um processo gradual da abertura econômica cubana. E um passo grande, pois agora a possível inclusão da ilha no mercado mundial ganhou respaldo político oficial e poderá se acelerar. O país deve continuar socialista, mas se a ideologia dos irmãos Castro é a mesma, a forma de governar não. Raúl sempre foi visto como menos radical que Fidel e já prometeu mudanças na qualidade de vida dos cidadãos de Cuba.

O desenvolvimento cubano esperado para os próximos anos também deverá trazer benefícios a vários países, entre eles o Brasil. O presidente Lula, segundo a Folha de S.Paulo, já programa parcerias comerciais com o novo governo de Cuba. Hoje, o país de Fidel é responsável por apenas 0,2% de nossa pauta de exportação, e um possível aumento dessa taxa pode representar um avanço no caminho desenvolvimentista brasileiro.