Em Todos os Homens do Presidente, o diretor Alan J. Pakula (Inimigo Íntimo) nos transporta com maestria para os bastidores do jornalismo investigativo norte-americano durante um dos maiores escândalos políticos que abalaram os EUA.
Tudo está pronto para o anúncio da candidatura à reeleição do republicano Richard Nixon ao cargo de presidente dos Estados Unidos. No meio tempo, a sede do Comitê Nacional Democrata, no edifício Watergate, é assaltada na calada da noite. O que inicialmente parecia um incidente isolado começa a ganhar proporções federais quando Bob Woodward e Carl Bernstein, repórteres do jornal Washington Post, se aprofundam na investigação do caso.
É nesse contexto que Todos os Homens do Presidente está inserido. Baseado na obra homônima de Woodward e Bernstein, interpretados na produção por Robert Redford (Um Lugar para Recomeçar) e Dustin Hoffman (Perfume: A História de Um Assassino), respectivamente, o roteiro adaptado de William Goldman, premiado com o Oscar da categoria, mostra com competência como funcionam as relações de poder dentro da redação de um periódico, mas peca ao exacerbar o heroísmo dos repórteres citados. Apesar disso, sua concisão é notável, pois consegue não confundir o espectador, que nem por isso deixa de estar inserido no contexto de um complexo trabalho jornalístico.
A película não esconde sua intenção em evidenciar a força das palavras na sociedade contemporânea. Prova disso são as cenas em que o bater das teclas da máquina de escrever faz um barulho ensurdecedor. A opção escolhida pelo diretor Alan J. Pakula para salientar esse efeito foi mesclar o som da própria máquina com o de tiros, com o propósito de traçar um paralelo entre o combate à impunidade através do uso de armas e através do jornalismo.
Todos os Homens do Presidente expõe, através do personagem Ben Bradlee, interpretado por Jason Robards (Magnólia), como deve funcionar a redação de uma publicação noticiosa competente. Bradlee, um editor-chefe exigente, mas que em vários momentos, devido à transformação cegante dos dois protagonistas em heróis, é visto como inconveniente, dá grandes lições de responsabilidade jornalística em tempos em que um “furo” é disputado a unhas e dentes.
Exageros à parte, as interpretações convincentes de Redford e Hoffman ilustram bem até onde a ousadia de repórteres pode (ou deve) chegar para que uma matéria não deixe pontas soltas. Fica explicitada então a importância do “chefe chato”, que exige dos dois jornalistas uma apuração que vá além de “achismos” e respostas aparentemente convincentes.
Apesar de filmada na década de 70, a fita é atual e ainda inspira por mostrar periodistas apaixonados por seus trabalhos, o que resulta, além de reconhecimento profissional (na vida real, Woodward e Bernstein ganharam prêmios por seus trabalhos no caso Watergate), em um serviço de valor inestimável para toda a sociedade. E é sempre bom lembrá-la disso.
Ficha Técnica
Título Original: All The President’s Men
Direção: Alan J. Pakula
País /Ano de Produção: EUA, 1976
Elenco: Robert Redford (Bob Woodward), Dustin Hoffman (Carl Bernstein), Jason Robards (Ben Bradlee), Jack Warden (Harry M. Rosenfeld)
Escrito por Evandro Pimentel